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| "Não sei se a ponte ainda existe...não sei se é a mesma da minha adolescência , mas sei que armazenei muitos sonhos nesta travessia. " |
O modo como ele olhou-a pela primeira vez deu-lhe arrepios...Medo?
Começava assim uma história que parecia de amor entre duas criaturas que acabavam de se conhecer.
Era uma tarde de São João.
Eram seis horas da noite... Nas pequenas casas do lugarejo o chefe da
Família acendia suas fogueiras.
Era uma tradição. Esperar que a fogueira
Queimasse em fortes labaredas era indicativo de que todos da casa estariam vivos no próximo ano.
O moço não era daquele lugar, estava de passagem por lá. Era alto, loiro, de olhos azuis, seu nome era engraçado, Benjamim.
Era um fazendeiro bem sucedido, possuía também uma frota de caminhões Mercedes Benz. Um bom partido para uma mocinha do interior. Veio para causar disputa entre as meninas e hostilidade entre os rapazes.
Beja era assim que todas o chamavam tornou-se a sensação do momento, hospedava-se no pequeno Hotel , por dois ou três dias e retornava a cada 15 dias.
Quem seria a felizarda a namorá-lo? Era o assunto do dia. ELe escolheu a mais recatada , para surpresa de todos. Foi educado e cavalheiro pediu aos pais da moça para namorá-la em casa.
A mocinha encantou-se, tinha apenas 17 anos e ele 37. Deixou-se levar pela vaidade, gostava de ser cortejada, da delicadeza dele que mal a tocava parecia que ela era de porcelana ...
Meses depois ele rouba-lhe um beijo na boca e pede para ser seu noivo e marcar a data do casamento ...Tudo muito rápido .
Era como se de repente a cegueira involuntária tivesse sido desfeita ...Ela disse não para desgosto da sua família.
Para ela o beijo a “desencantou” trouxe-lhe de volta ao mundo que queria para si, diferente daquele oferecido. Ele se foi, triste abatido e decepcionado. Pouco tempo depois se soube que havia reatado um noivado antigo e casado.
Dele restou apenas a lembrança do perfume que usava –Bois Blanc- Muitos anos depois o reencontro, ela não o reconheceu, ele sim. Apenas lembrava-se daquele cheiro... Soube naquele dia que ele a amava e que nunca a havia esquecido.
Ela não soube o que dizer, no seu íntimo tinha apenas uma certeza pelo menos nesta vida havia despertado um amor puro e desinteressado em alguém .
Nunca mais se encontraram apenas o perfume de Bois Blanc continuou parado no ar...
Escrito por Maria Claudete