18 julho 2012

Cicatrizes da Alma


                                  No último final de semana estive participando de um Seminário de Vivência no Espirito Santo. Foi transformador, impactante e com certeza renovador na minha vida. A forma que encontrei de registrar de forma indelével o momento vivenciado transcrevo neste poema.

Foto arquivo pessoal : Cemav/Damas-Vitória de Santo Antão.
                                       

Foi longa a caminhada...
Foi claudicante a busca.
Foi insistente o convite...
Foi consciente a aceitação.
Encontrei finalmente o que buscava.
No recôndito do meu ser
Digladiavam-se, querendo romper-se,
Cicatrizes da minh’alma,
Finalmente expostas
Expuseram culpas que não eram minhas;
Conflitos que não eram meus.
Lavei-me em pranto convulsivo.
Lágrimas jorravam abundantes.
Teu poder e tua misericórdia,
Ó divino Espírito Santo de Deus,
Invadiram-me e me purificaram.
Renascida, vou deixar-me guiar
Abandonar-me em teus braços.
Meu coração será tua morada.
Tua graça me bastará.

Escrito por Maria Claudete F.H.Batista

08 julho 2012

Palavras...São Palavras...


                                          fig.1- Margem do rio São Francisco ( foto arquivo pessoal) ( Piaçabuçu)

O alfabeto parece insuficiente...
É tanta  a explosão de sentimentos que brota.
Palavras , mais palavras,  como enxurrada...
Na premissa de quem chega primeiro
Barreiras são destruídas.
Correntezas de emoções intensas,
Caudalosas como águas de um rio  perene.
Tentas  priorizar, não consegues...
Veementes idéias se sobrepõem:
Atendes às solicitações interiores,
Respaldas  as interrogações,
Contornas os obstáculos?
Deixas prevalecer o eu sobre o ego.
A montanha combalida do alfabeto se exaure
Convulsionaste a seqüência...
Palavras sempre serão palavras.
Ordenadas tornam-se harmoniosas.
A soberania do comando que impõe a ordem
Prevalece sobre o caos em que se digladiam
As paixões momentâneas e a lucidez da razão.

Escrito por Maria Claudete
30/06/2012


25 junho 2012

Amigos de Outrora...



                                                   Foto de arquivo pessoal.


Nos limites do horizonte que vislumbro
Através da vidraça da janela
Despudoradamente atravessada pelos raios do sol
Remonto um passado longíquo.
Entremeado pela nostalgia cautelosa
Fustigado pela ansiedade premente.
Os amigos de outrora ,tais como folhas ao vento
Desgarrados, sem rumo determinado
Tornaram-se  lembranças aprisionadas.
O horizonte continua o mesmo.
Como libertar o que me fustiga a mente,
Se a razão se sobrepõe à saudade...
A certeza do crepitar da chama  que se apaga
É fortaleza do coração que chora,
É alento para quem clama a presença
Dos amigos de outrora.

Escrito por Maria Claudete F.H.Batista





22 junho 2012

Memórias de Uma Noite de São João



                                                            Site dessa imagem

                                                   Galeria Brasiliana - Categoria J.Coimbra
                                                              galeriabrasiliana.com.br

O tempo... Não sei mais precisar...
Provável muitos idos decorridos.
Uma certeza  jorra na memória...
Céu estrelado, balões coloridos
Fogueiras  em labaredas  imensas.
Era chegada a hora dos festejos.
No interior da minha terra natal
Tudo começava com um desfile.
Carros  engalanados puxados por bois
Levavam os padrinhos, os convidados e o padre
Atrás do cortejo seguiam os noivos e os músicos.
Era o momento esperado
O casamento matuto, ápice da comemoração.
Era noite de São João!
Lembro que fui uma das noivas, tinha namorado...
Vestiu o vestido de uma noiva de verdade:
Namoro encerrado rezava a lenda.
Casar vestida de noiva? Nunca mais!
Verdade ou mito, quem sabe?
Pois aconteceu... Se as iniciais do prometido
Na faca da  bananeira apareceram na noite de Santo Antônio,
São João encarregou-se da sua parte.
Casar? Eu casei. Outro foi o noivo.
Cadê o vestido de noiva? Não deu!
Um terninho vermelho me vestiu.
Cumpriu-se a lenda, parece  estória de trancoso.
É a pura verdade, como esquecer...
Meu casamento matuto foi pomposo
Com todos os ingredientes do casamento de verdade.
Santo Antônio encaminhou e São João sacramentou.

Escrito por Maria Claudete F.H.Batista


  










16 junho 2012

Onde Estariam Todos?











Ao adentrar  à casa  encontrei-a vazia...
onde  estariam todos?


Uma sensação de liberdade pairava no ar
o perfume de flores era invasivo e inebriante.
onde estariam todos?




Era como se  corpos físicos desintegrados
exalassem  o aroma do etéreo
flores e almiscar inundavam  a casa...
onde estariam todos?


 A casa parece um imenso labirinto
percorro-a lentamente ,a cada passo uma descoberta
nenhum sussurro , henhum gemido humano...
onde estariam todos?


como se fosse uma  silente pluma 
impelida pelo vento, suavemente ,
quedo-me diante de um imenso portal.


A beleza exuberante  do lugar 
a calma  que transmite
a luminosidade que extasia 
envolve-me  e me impele .


É aqui que estão todos...
Aqui quero morar.


escrito por Maria Claudete F.H.Batista

































13 junho 2012

Retomar A Veste





O passado retorna de forma retumbante...
Não se contenta em simplesmente surgir.
O passado que antes se julgava esquecido...
Mostra suas garras nefastas e ataca.
A coragem adquirida no transcorrer do tempo...
Tremula vacilante e atrofia-se diante dos algozes.
Pensava  no jazigo a menina de 12 anos ...
Eis que ressurge  na moça  que se entende adulta.
Aos temores, à ansiedade mesclam-se os  devaneios...
Diante de olhos e mentes sagazes.
Coexistem digladiadores o medo e o tempo...
Pobre menina ressuscitada.
Como retomar sua real identidade...
Desmoronam-se suas certezas.
À razão carcomida pela exiguidade do tempo
Somam-se agressões e estupores.
Trilhando por esta nova estrada
Claudicante e entorpecida  desfaz-se da menina
Certeza... Apenas uma...
A moça agora sabe... A menina por hoje basta!

Poema escrito por Maria Claudete em 13/06/2012


09 junho 2012

Por Que?


            
                                                      

            Se o tédio que me invade é causado pela solidão
            Se a dor que me desespera é fruto da paixão
            se a tristeza da partida é saudade inevitável
            Somente tenho uma saída
            Jogar meu barco ao mar 
           Embarcar nele os meus sonhos
           Navegar no infinito do improvável
          Aprofundar-me na sutileza do meu ser
          Encontrar-me na singeleza do mar revolto
          Onde ondas turbulentas refream 
          A inconstância do meu viver.

Poema escrito por Maria  Claudete F.H.Batista
publicado no  Blog da Claudete em 04.06.2012

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