19 setembro 2009

Uma Carta Para Mim

Uma Carta Para Mim

Justificando:

Quem de nós não terá uma boa razão para ter escrito uma carta para si mesmo? Se a estrada já tiver sido percorrida por muito tempo... a longevidade

se reveste, muito mais ainda, de situações que justificariam o propósito.

O difícil é a escolha . Mas vou optar por uma atitude tomada aos 17 anos.

Escrevendo a Carta:

Camaragibe , 20 de setembro de 2009

Querida Claudete, você foi uma adolescente atípica;

enquanto todas amiguinhas namoravam meninos de carne e osso você se encantava com os rapazes saídos dos livros de M.Delly, tomava o lugar das heroínas e vivia grandes Romances de Amor.

Com estes livros viajava por lugares onde supunha

jamais pisaria a não ser naqueles momentos de sonhos intensos. Você sentia-se preenchida totalmente e assim o tempo dos 12 aos 15 anos foi fluindo entre os estudos regulamentares e a avidez pelo dia que chegaria na banca de revista mais um livro de M.Delly.

Você não tinha namorado, mas aprendeu a dançar,

era vaidosa no vestir e no pentear , gostava de organizar festinhas típicas do pequeno lugarejo onde vivia , como Baile das Rosas, Baile da Primavera, e imaginem , até desfiles de moda com a finalidade de angariar fundos para a Igrejinha e outras festinhas. Enfim era uma jovem atuante .

O seu pequeno mundo, Claudete, começou a desmoronar, agora percebe-se claramente, quando você resolveu namorar o menino

bonito e cobiçado, levada pela vaidade de poder tê-lo e pela “vergonha” perante às amigas de nunca ter namorado pra valer!

Você não estava preparada para enfrentar este namoro. Você percebeu de imediato a diferença entre apaixonar-se por um personagem de ficção e um real. Apesar de não se considerar bonita e tantas outras assim cobiçarem seu Pretendente , e ele ter preferido você, mais pelas suas virtudes e caráter que por sua beleza, isto não foi motivo para você sentir-se inferiorizada.

Durante 02 anos você namorou um rapaz que não amava , que era querido pela sua família e como se dizia naquela época, era um rapaz

de futuro. Só que você , Claudete , estava sempre comparando os amantes saídos dos livros de M.Delly com o que estava ao seu lado. Coitado, ele nunca soube disto e você está descobrindo agora...

Foi numa terça-feira de Carnaval, às 08 horas da

noite, você havia terminado o namoro que estava sufocando-lhe, você tinha outros projetos para sua vida, sonhava com outro mundo diferente daquele e não se via

precocemente casada e cuidando de um monte de filhos como era comum.

Como um pássaro, achou que havia aberto

a porta da gaiola dourada. De repente, no salão onde se realizava o Baile Carnavalesco, a música de Seu Filemon parou de tocar. O moço no microfone avisava para você ir até

à casa onde morava seu ex-namorado porque ele estava fazendo roleta russa com o revolver do irmão mais velho .

Você foi com sua mãe e deparou-se com uma cena repulsiva e bastou pedir que o espetáculo deprimente acabou. Claro que você não quis mais voltar ao Baile.

No outro dia pela manhã, Quarta-feira de Cinzas, ele chegou com uma rosa na mão. Mesmo com o coração apertado , você não permitiu que ele dissesse nada e o mandou embora , pois não tinha mais volta.

Ele saiu da sua vida, foi servir ao País no Canal de Suez, veio morar na Capital , tornou-se Economista e casou com sua melhor amiga.

Depois de muitos anos suas vidas se cruzaram e você teve a certeza de que tomara a decisão correta ao afastá-lo da sua .Ele revelou-se uma pessoa mesquinha e vingativa, não perdoou ter sido preterido no passado ,cometeu pequenas vilanias mesmo tendo construído uma vida bem sucedida. Você soube separar

as coisas e não deixou de manter contatos com a amiga , esposa dele.

Você não sabe até que ponto ela tomou conhecimento dos fatos , mas pelo menos trata-lhe com cordialidade .

Hoje você sabe que por ingenuidade , considerando que ambos eram jovens , poderia ter dado um novo rumo a esta triste história , não devia nunca ter alimentado aquele namoro , teria usado de mais sensatez ter se aconselhado com pessoas mais experientes.

Você não teria condições de viver com um homem tão passional. Graças a M.Delly , que abriu o seu coração para a paixão sonhadora, onde prevalece sempre o amor, você desenvolveu sua porção romântica de uma forma excessiva .

Por maiores que tenham sido as dificuldades que você enfrentou nos seus relacionamentos afetivos que se seguiram, prevaleceu sempre a lucidez de por na balança sentimento e razão e fazer a escolha que achava correta, partindo sempre do princípio que possuir o outro sem dar-lhe chance de respirar é prerrogativa dos inseguros e insensatos.

Você, apesar da pouca idade, teve a coragem de

assumir uma atitude ao buscar o horizonte que vislumbrava na cidade grande

sem ódio no coração e sem medo de ser feliz! Este foi o lado positivo deste episódio vivido na adolescência.

É o que gostaria de ter-lhe dito naquela ocasião.

Atenciosamente, Claudete.

08 setembro 2009

Irreal...Para Alguns!

Vigília do dia 30 para 31 de agosto

Durante muito tempo sempre fui convidada a participar deste evento no local onde apareceu Nossa Senhora das Graças, no Sítio da Guarda, em Cimbres-Pesqueira, PE., reduto dos índios Xucurus.

Algo sempre me impedia de aceitar o convite: trabalho,

doença na família, clientes para serem atendidos etc. Um dia, há alguns anos atrás , resolvi atender ao “chamado” e a partir daquele dia fatos inusitados, não explicáveis à luz da razão aconteceram comigo.

Naquela primeira visita, minha mãe que hoje está com 86

anos , me acompanhava . Admirávamos a beleza do lugar o céu tão azul e tão límpido , a brisa amena, a temperatura do lugar cercado de montes que caia progressivamente com o cair da tarde. Entardecer que meus olhos retiam sem presenciarem a escuridão da noite estrelada que se avizinhava.

“Em dado momento, extasiada por tanta luminosidade indaguei, lembro como se fosse agora, “Este lugar escurece a que horas? Pois já passam das dezoito e continua tão ensolarado?”

Minha mãe respondeu: - Minha filha se oriente, já é noite

veja como o céu está estrelado! E de repente vi o anoitecer, fiquei atônita

Por uns instantes e pensei comigo:_ O que está me acontecendo?

Enquanto o grupo seguia para o local da Missa, eu, que estava sentindo muito frio, resolvi tomar uma sopa para me aquecer.

A casinha humilde onde era servida a comida ficava mais acima. Ao terminar a pequena refeição quando me dirigia ao encontro do grupo olhei para o céu e vislumbrei uma figura etérea, de uma transparência luminosa, parecendo uma escultura feita de nuvens que se movia no espaço, esfreguei freneticamente os olhos, abria-os e fechava-os rapidamente, mas a figura não desaparecia, não sei quanto tempo fiquei

naquela situação, sem entender se o que estava vendo era real ou uma alucinação, só me dei conta de que não estava mais sozinha , quando uma mão tocou minhas costa e alguém falou que eu não me aflingisse pois

aquela visão era Nossa Senhora das Graças.

A visão foi compartilhada pela maioria das pessoas que integravam o nosso grupo. Naquele dia muitos outros grupos de peregrinos

de outras regiões ali se encontravam. Foi então que presenciei o desespero de algumas pessoas que insistiam para que eu mostrasse o que via , pois há anos que freqüentavam em busca de um sinal e nada conseguiam ver.

A partir da hora da aparição, por toda a noite até à madrugada, a imagem estava lá, visível em qualquer direção.

Eu passei a ter certeza da presença da Virgem naquele lugar e

A convicção de que alguma coisa forte na minha vida estaria ligada àquele

Privilegio que me foi concedido. Nos anos subseqüentes não consegui ver a imagem e sim os sinais reveladores . Há 05 anos, nossa família compreendeu o porquê. Talvez um dia, quando for o momento, possamos dar o testemunho da graça para todos, como fizemos para alguns.

Na Vigília de 30 para 31 de agosto deste ano, o grupo não foi à

Cimbres, realizamos a Vigília pedida por Nossa Senhora, com a Adoração

Ao Santíssimo Sacramento na Capela da nossa localidade , e como sempre

visualizamos os sinais da sua presença marcante, desta vez , O Rosário, com contas multicoloridas e brilhantes, suspenso no interior de uma redoma de Vidro que continha uma vela acesa.

Às três horas da manhã eu e mais duas pessoas nos aproximamos do altar e nos entreolhamos, estávamos vendo a mesma coisa. Poderia ser uma ilusão, mas uma pessoa notou que a vela de repente se apagou, então retirou a redoma para acender a vela, o irreal foi presenciado por nós três, a redoma estava escurecida totalmente pela fumaça, mas, o Rosário continuava lá suspenso e aceso!

No lado esquerdo do Altar o fato se repetiu. No Sacrário uma luz verde claro no interior iluminava o Santíssimo Sacramento, sem que soubéssemos de onde vinha aquela luz!

Muitas conjecturas serão feitas a esta narrativa, mas sinto-me compelida a fazê-la como testemunho da minha FÉ em Deus e na intercessão de Nossa Senhora como nossa mãe e medianeira. E no óbvio

recado dado : orem , se possível com o terço na mão, existe Esperança para o Mundo e suas adversidades , a oração tudo pode em nome de Deus!

Eu devia a mim mesma o resgate de mais esta via percorrida na minha vida.

Escrito por Maria C laudete

30 agosto 2009


Ao postar esta poesia de um amigo querido quiz partilhar com os que aqui passarem este retrato reproduzido com tanta fidelidade . Diz tudo do momento vivido o qual muitos poderão ter vivenciado sem a consciência do aprendizado que o mesmo encerra.
Ivo , te parabenizo, pela ousadia e coragem de expor de forma poética e concreta esta via percorrida. ( Claudete)






A RUA

Meus pés e minhas procuras

Levados por sentimentos insanos

Abandonaram a razão

Deixando-me nessa rua escura.

A rua produz ruídos ensurdecedores

E minha voz não está neles.

A rua carrega pessoas enlouquecidas

Mas não estou no meio delas.

O que a gente faz quando caminha

Uma vida inteira por labirintos

E encontra seu cantinho habitado?

Não quero a piedade das sombras

Nem dos olhos que se desviam

Quando me vêem ao relento.

Contento em saber que a rua é larga

E todos caminhos seguem em frente.

Existir já é um prêmio e tanto.

(Ivo Cruz) (24/08/09)


postado por Maria Claudete

24 agosto 2009

Observo e Confesso





Observo que:

O dia chegou

O sol veio com ele

As nuvens são brancas

O céu é azul

Tudo parece igual

Minha alma exulta

Meu corpo responde

Ontem obscuro e manipulador

Hoje diáfano e inquiridor.

Confesso que:

Quero ver com os olhos da razão

Quero a convicção dos puros

Quero aquecer meu coração

Preciso expurgar a solidão.

Escrito por Maria Claudete



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