13 junho 2009

Um certo Dia de São João...

No lugar onde vivi minha infância e parte da juventude sempre tinhamos festejos de São João. Participei intensamente de tudo que se referia a folguedos juninos, exceto no que se referia a brincar com fogos de artíficios, era terminantemente proíbido lá em casa, o máximo permitido era acender "chuvinhas ", estrelinhas" e "traques"( este fediam demais!!!).
Era muito bom... Começava pelos quitutes na festa de encerramento do semestre letivo no Grupo Escolar Tobias Barreto , onde eram servidos fartamente quindins,maria-mole,canjicas, pamonhas, milho cozido, milho assado, pé-de-moleque, bolo de macacheira, tapioca de côco, sarapatel, cachorro-quente e muito suco de frutas entre muitas outras iguarias.
O ápice da festa ocorria com o casamento matuto. Lembro de um detalhe que beira a surperstição, tão comum entre os interioranos de antigamente. Devia ter uns 17 anos e namorava pela primeira vez. Fui escolhida para ser a "noiva " da quadrilha. Minha melhor amiga havia casado recentemente, tínhamos as mesmas medidas, bom, o vestido de noiva dela estava perfeito, isto me encantou!
As fofoqueiras de plantão me avisaram:- Olha se você usar este vestido e for vista pelo seu namorado , não vai casar com êle e também se casar não será mais vestida de noiva!
Pois bem o namoradinho estava na primeira fila ! Verdade ou mentira o namoro desunerou feito maionese e a "profecia" se cumpriu: não casei vestida de noiva na vida real.
Sempre que me perguntam por que não tenho álbum de fotos de casamento, não deixo por menos, mostro as fotos vestindo um conjunto de saia e casaco vermelho com um spencer de listras azul e branco caminhando na rua , numa algazarra total com os padrinhos, colegas da Universidade , em direção ao Cartório .
Foi muito engraçado o que aconteceu naquele dia , ao chegarmos ao Cartório em meio a todos aqueles casais que estavam aguardando a chegada do Juiz, estávamos na metade do mês de Dezembro, prestes do recesso , daí a "multidão"; de repente surgiu um ex-aluno que trabalhava no Fórum e estava organizando os casais para adentrarem ao recinto onde seria feita a cerimônia coletiva -a famosa roda_ Êle falou : "minha professora? mas não vai casar mesmo nesta roda, espere aí, entrou falou com o Juiz e nos levou para uma sala especial e reservada onde assinamos os documentos ".
Não lembro mais o nome do ex-aluno, mas foi hilário, pois me lembrava fortemente o meu "casamento matuto" num certo Dia de São João, armazenado nas lembranças da minha juventude, cheio de improvisos e brincadeiras.
Talvez porisso o São João tenha uma conotação tão romanesca e folclórica na minha vida.

escrito por maria claudete

02 junho 2009

Cheiros e Lembranças...

Sempre dizem que tenho um olfato altamente "sensível": aos perfumes, às flores, às comidas, aos tecidos, à terra molhada pela chuva, ao mar, aos animais , às pessoas e por aí vai, resumindo cheiro de tudo!
Poderiam dizer: -ora! todos tem olfato , até os animais! entretanto o cheiro a que me refiro tem uma característica diferente , consigo pelo perfume exalado por alguém identificar suas emoções em relação a mim, ou ao ambiente em que ela se encontra.
Por conta disto já passei por situações que variaram de hilárias a constrangedoras.Posso afirmar que nunca me enganei.
A diferença é que se antigamente tentava contornar agora prefiro silenciar e guardar apenas para mim as impressões, claro que não vou deixar que possa haver prejuízo para outros, apenas resolvo o que for possível com discrição.
Sei que a Psicologia , pelo menos tenta explicar, situações especiais como as que vou relatar agora: atendia um cliente adolescente , à epoca, neto de uma pessoa muito querida falecida há alguns anos, pois bem após algum tempo do atendimento um perfume intenso invadiu o meu consultório, o cheiro forte trouxe-me à lembrança após tanto tempo aquela pessoa.
A outra experiência marcante aconteceu em 2002: numa situação desesperadora pedi a intercessão de Santa Terezinha para aquela causa e no dia que deveria receber as rosas que sinalizariam o atendimento da graça pedida, vi meu neto no noiteiro do mês de maio , ele tinha apenas 05 anos, ir até o altar pegar uma rosa e oferecer à senhora que estava sentada ao meu lado. Ela se emocionou e agradeceu , depois soube que a mesma havia feito a Oração de Santa Terezinha.
Pela manhã estava eu triste andando pelo quintal e rezando meu terço quando vi que o grande recipiente que acumulava o lixo a ser coletado estava sem tampa e virado com todo lixo espalhado , a coleta não havia sido feita há uma semana. Pois bem , em vez de sentir mau cheiro fui "envolvida" por um inebriante perfume espalhado pelos ares e ao meu redor que me paralisou literalmente! era como se milhares de rosas estivessem caindo sobre mim.
Fiquei tão feliz que não sabia se sorria ou chorava, nem preciso dizer que alcançei a graça, e o melhor passei a compreender a função do "cheiro" na minha vida . Recebi este dom e
só posso agradecer a Deus.
Como toda leonina , sou explosiva e de uma objetividade que chega ser agressiva para alguns , por isso aprendi a administrar os "vários cheiros" que sinto com mais sensatez e tentando compreender por que os sinto.
Esta é uma via que vou continuar percorrendo vez que o resgate será sempre uma constante sem data, sem hora e sem dia para acontecer.
Não me rotulem , mas se não for possível deixar de fazê-lo , não se preocupem , porque não me sinto culpada se sou capaz de sentir até o "cheiro" de quem passa por aqui!
Sintam-se perfumados pela natureza florida e harmoniosa.




28 maio 2009

Levantando a Cortina.


Amo a natureza, sempre me senti viva , mesmo quando sozinha caminhando pelos prados verdejantes, correndo pelos matagais rasteiros, indo apanhar lenha com a minha bisavó ou brincando de "cozinhado" de bonecas com minha amiguinhas , durante minha infância até à adolescência vivida na zona rural .

Um temor exagerado , no entanto ,me perseguia quando me deparava com açudes , rios, cachoeiras e até o mar que ao mesmo tempo que me fascinava , me apavorava.

Cresci, vim morar na capital e nada mudou. Mesmo amando o mar, praia? só na areia , adentrar? jamais!

Sempre usava a desculpa de que por ser muito branca , não bronzear e sim "cozinhar" feito camarão , não poderia tomar banho de mar.

Minhas aventuras aquáticas se restringiam às piscinas e olhe lá , somente onde não me desse a sensação de afogamento.

Durante algum tempo sempre me perguntava qual a razão de tanto pavor, cheguei a questionar minha mãe se por acaso quando bebê havia escorregado na bacia durante o banho.

Bem, quando fazia o curso Superior aqui em Recife, certo dia de inverno e bastante chuvoso fui visitar uns amigos no bairro de Monsenhor Fabricio e não deu outra , foi uma verdadeira inundação , tivemos que ficar ilhados , esperando socorro no teto da casa.

Dei o maior vexame, fiquei histérica pois além de tudo não sabia nadar, nem boiar .

Prometi , quando tudo passou, a mim mesma que procuraria ajuda .

Continuo sem saber nadar , nem boiar! Mas fiz uma descoberta para o meu mêdo.

Numa noite de Natal , quando tinha uns 09 anos de idade , o açude de Santa Rita estourou , as comportas se abriram e o pânico tomou conta do lugarejo , está bem nítida agora a imagem do que aconteceu: a festa de rua acabou e gente corria para todos os lados procurando os lugares mais altos para se abrigarem das águas.

Corremos em direção ao morro e nossa casa ficava nas proximidades, serviu de abrigo até as águas baixarem para muitas pessoas . Na ocasião não tive medo, mamãe e as outras mulheres preparavam muita comida enquanto os homens tentatavam contornar os estragos e recuperar o que fosse possível ser consertado.

Nós, crianças, nos aglomerávamos em um dos quartos da casa para dormir e brincar. Recordo de uma senhora vestida de preto que bebia muito e o marido ralhava com ela . A bebida que ela ingeria era uma mistura de cachaça e ervas que papai usava como remédio, pelo menos era o que nos diziam - a Cabeça de Negro- depois do estouro do Açude Santa Rita , ela morreu, acho que foi devido a bebida pois disseram que "havia pipocado todo tipo de doença

reprimida no organismo dela " , no linguajar da matutada , " botado pra fora ".

Lembro bem que na parte baixa juntou tanta água que parecia que o Açude havia mudado de lugar. Toda vez que eu olhava sentia muito medo. Estas lembranças vieram à tona após ver o estrago que as águas estão fazendo no Brasil . Nunca vi reportagens sobre o assunto veiculado na mídia , talvez por defesa psicológica mesmo, por não querer reviver esta situação.

Escrever sobre isto está me fazendo um bem enorme , estou sentindo agora como se este elo do passado estivesse sendo desfeito. Volto a enxergar o Açude de Santa Rita majestoso , enorme e tranquilo, não mais ameaçador .Vejo como o local onde estão sepultadas lembranças de uma infãncia feliz, com festas da Padroeira, namoricos da adolescência , caminhadas, piquiniques e tudo de bom que ficou lá .

Vou aprender a nadar e boiar em águas tranquilas! Com certeza.

Esta é mais uma via percorrida e resgatada.
Escrito por Maria Claudete

09 maio 2009

Momentos Inesquecíveis

                                      

 

                    Ido de 1996 aproximava-se o término da primavera. Um Congresso Internacional de Odontologia em Orlando e mais a valorização do Real, toda euforia que impulsionava os brasileiros, nos levaram à primeira viagem à América do Norte.

                    A bem da verdade, a viagem era puro turismo, vez que as novidades na área odontológica já haviam sido lançadas anteriormente no Congresso Internacional de São Paulo e aproveitando os pacotes comuns de descontos deste tipo de evento permeado pelas Agências de Viagem em consonância com os organizadores do Congresso , tudo tornou-se mais fácil  .

                 Nem preciso dizer o quanto foi excelente a viagem. Além de participarmos das atividades pertinentes que nos interessavam, aproveitamos para conhecer as cidades

próximas a Orlando e Magic Kindom ( Disney). Deslumbramento total, literalmente, voltei a ser criança!

                   Foi muito divertido, conhecemos durante a viagem um casal daqui de Recife, e  esta amizade fortaleceu-se e consolidou-se até os dias de hoje: João José e Agenice passaram a ser parte integrante do nosso restrito círculo de amigos de todas as horas.

                    Durante nossa permanência em Orlando a guia que nos acompanhava teve que voltar para o Brasil e acreditem me deixou responsável pelo grupo que havia saído de Recife.

                  O pior estava por acontecer: as passagens de volta estavam em aberto, pois algumas pessoas do grupo, ao término do Congresso pretendiam estender a viagem por mais 5 a 8 dias, ficando a critério de cada um a escolha do roteiro, passagens internas e hospedagem.

                   O grupo se dividiu: a maioria resolveu fazer um cruzeiro pelo Caribe, apenas eu, meu marido e outro casal (Emanuel e Sônia Passos) nos aventuramos a conhecer Nova York, escolha perfeita, ficamos hospedados próximo ao Teatro onde estava em cartaz o Fantasma da Ópera. Aqui no Brasil não tínhamos conseguido ingresso, mas lá descobri que sempre há disponibilidade, inclusive uma bilheteria exclusiva para turistas em trânsito pela cidade.

                 A cidade é realmente fascinante, e fácil de ser percorrida por todas as avenidas e  ruas  tão bem distribuídas.

                 Visitamos a Estátua da Liberdade, Empire State, Central Parque ,as Torres Gêmeas , o Bairro do Brooklin  entre outros.

                 A recordação triste ficou por conta do desastre ocorrido com as Torres pouco tempo depois.

                 Bem voltando ao grupo que optou pelo Caribe, não teve a mesma sorte que nós, pois  foi surpreendido por fortes chuvas e tempestade em alto mar , nos reencontramos todos em Miami , onde começou a “odisséia” das passagens de volta ao Brasil.

                 Como sou muito desenrolada, mesmo passando por situações hilárias, contornei tudo com muita sutileza  , e por insistência e persistência consegui marcar todo o grupo para o mesmo vôo, ficando João José e Agenice na  classe executiva.

                O meu desempenho foi tão incisivo que  uma Secretária de Estado pernambucana  acompanhada pela mãe  , que tentava há dois dias retornar ao Recife, quis solicitar minha intervenção julgando-me ser Agente de Viagem(!?).

                 Gente, na verdade era a vontade de voltar para casa e o senso da responsabilidade a mim conferida, que me movia. Fico feliz por mais esta via percorrida e resgatada.Google Imagem

                                                Estátua da Liberdade. 

 

 

 

 

 

 

 

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