24 março 2010

Trevas e Luz

Rua da Austrália (Foto Jamal)



( Júlio Ledo)








Mesmo que eu quisesse conseguiria me libertar?



Um sentimento de impotência acoplada à debilidade física



Corrói-me o corpo e fragiliza minha alma.



Amigos debatendo-se entre a vida esmaecida



Amigos contrapondo-se à razão do existir



Amigos mutilados pela própria incoerência



Amigos suplicantes de amor e compreensão



Nau que navega no mar azul perdendo-se no horizonte



Nau dos desesperados onde sem timoneiro segue sem rumo.



Quero assumir, como posso, o controle



No âmago busco força, na oração encontro alento



Na identificação dos elementos assumo o navegar



No fim do dia exaustivo encontro a compensação



Revendo ensinamentos , preenchendo as lacunas



A cada amigo vou da palavra à ação



Não são super poderes tão somente a magia do amor



Mesclado pela compaixão e certeza da troca



Instala-se a simbiose e restaura-se o feed-back



Por este dia, um de cada vez



Potencializa-se a liberdade.






Escrito por Maria Claudete

19 março 2010

Tempo Bom Aquele...

Tempo bom Aquele....

Anos 70 , ebulição geral, no mundo,no País , na Faculdade ...mil transformações.

Encantamento instantâneo para a maioria, igual só a inflação futura.

Era um "galopar" pra não perder o próximo lance nem o bonde da história , que

as paixões não adquiriam fixação. Mas para alguns criar raízes ainda era importante.

O romantismo ainda tinha lugar e, de vez em quando, deparávamos com

Alguém perdidamente apaixonado. Naquela época era comum o universitário fazer rifas, bailinhos na Faculdade, para capitalizar as despesas com a formatura, não adiantava esperar apenas pelo Paraninfo, que sempre era uma pessoa de destaque... e posses!

Mesmo parecendo piegas, era certo o embalo do baile ter música do Sérgio

Endrigo, a que ilustra a postagem era uma das mais tocadas, mesmo porque todo mundo dançava de rostinho colado no finalzinho da festa. Aí as paixonites recolhidas ousadamente

Pediam licença e tudo magicamente acontecia. Lembro dos namoricos entre colegas tímidos que começaram nesta ocasião. Pelo menos uns cinco casais levaram a paixonite até o altar .

Pelo que eu saiba apenas um separou-se, mas continuam excelentes amigos.

Um fato interessante aconteceu com a música "Michel" dos Beatles, uma amiga apaixonou-se

Pelo primo de um colega nosso chamado Miguel, só que ele "escondia" a noiva, por sinal casou-se com ela, mas paquerava e dava corda toda para minha amiga , era um assíduo fre-

quentador dos bailinhos e rifas. Para não dar muita bandeira a comunicação entre eles era "Michel". Sempre que ele estava presente o primo pedia para tocar a música, era a senha para que minha amiga aparecesse. Tempo bom aquele...

Foi num destes bailes que dancei com alguém do quarto ano ( eu era do primeiro) por quem curtia uma paixonite . Pensava que não era óbvio, ledo engano, todos sabiam... Para dar uma de gostosão no final da festa depois de ter dançado com todas , me

convidou e foi o suficiente para sonhar o resto da semana com aquele momento que não

voltou a repetir-se. O ano terminou, o gostosão diplomou-se e foi morar em São Paulo e...

Acabou-se a paixão. Tudo passa mesmo... Ficaram as lembranças reconstituídas nos encontros da Turma com muitas risadas e tranqüilidade. Tempo bom aquele....


Escrito por Maria Claudete

12 março 2010

Feliz Aniversário!






Fotos Google Imagem
Quero Ter o Prazer de Festejar com Vocês Na minha Festa de Um Ano.
Que outros Anos Venham com Muita Interação
Entre Nós!





















Hoje este espaço completa um ano de vida... Surgiu da necessidade que eu sentia de liberar o que estava estagnado dentro de mim. Creio que o Vias percorridas está





desempenhando bem o seu papel libertário. Fiel às buscas através de "pistas" indutoras, exatamente hoje, encontrei nos meus guardados o livro de poesias ( Traços, 1981) de um ex-aluno , também Poeta e artista plástico, Osvaldo Pinheiro de Lira.





Transcrevo a Introdução do livro , que resume o quero expressar nesta data.





"Escrevo diante da estrada. Nela os "Traços" se confundem por vezes com a paisagem árida.





A poesia não é um oásis sob o sol do deserto, na estrada. É uma realidade tão árida quanto a





Própria estrada. Árida, pois que se veste para corromper o sol e combater o chão, mas que junto à estrada, integrada na paisagem forma um caminho a se seguir, sem o qual o homem





Imbússolo, torna-se apenas um viajante" ( Osvaldo Pinheiro de Lira).





Perdi o contato com Osvaldo, se for possível, gostaria de ter notícias





dele. Resgato esta passagem , recordando bons momentos vividos no convívio universitário





testemunhando alguns "Traços" que ao caminhar tatuava sua marca na estrada .





Sinto-me feliz pelos amigos que vieram do Blog da Claudete e por outros que aqui chegaram. Mesmo com as inovações do universo virtual em relação às redes sociais , serei sempre fiel à dinâmica do Blog. Gosto da forma de comunicação e interação. Enquanto





For possível estarei sempre aqui percorrendo minha estrada.










Escrito por Maria Claudete











10 março 2010

Resgatando um Momento Vivido...


 


 

No interior em que cresci e vivi durante 20 anos, a comunidade era tão pequena que se sabia tudo da vida um do outro. Bom acredito que todas eram assim...

Era comum as moças de mais idade "olharem" as crianças e adolescente menores, quando os pais ou parentes mais próximos se ausentavam.

Na nossa família uma amiga íntima desempenhava este papel: era gentil, atenciosa, servil, mas sabia também ser "durona" quando necessário. Lembro bem seu nome, seu jeito, seu carinho por mim e minha Irma mais nova.

Soube que continua solteira e agregada a outra família que a trata

Com muito carinho. Deve estar com seus 75 anos ou mais. Que eu saiba ela nunca teve um na

morado ou pretendente . Talvez fosse este o motivo dela sempre dar uma de alcoviteira das

meninas que ela via crescer e tornar-se adolescente ou moças para casar. Foi assim comigo...

Hoje percebo que na verdade ela tentava realizar-se através de

cada uma de nós. Formou-se Professora Primária e passou a lecionar em duas Escolas .

Ela tinha uma particularidade que entendo agora como uma forma de compensar a sua insegurança afetiva... Quando gostava de alguém cobria aquela pessoa de presentes caros , independente da receptividade ou não. Quando cismava..Sai de baixo! Não adiantava conselhos de ninguém.

Ouvi muitas vezes minha mãe e minha Tia comentarem sobre isto. Um dia , soube que ela estava de "olho" num solteirão do lugar. Ele tinha um ar de bobalhão ,mas trabalhador e até simpático e sorridente. Era uma comédia , agora éramos nós que tentávamos engatar o namoro. Éramos garotas na faixa de 13 e 14anos, cheias de "gás"

Com a corda toda.

Acontece que descobrimos que o "cara" era quase analfabeto,

Afinal ela já era uma Professora. Foi engraçada a forma como se deu a descoberta. Chegamos

Até a figura e perguntamos:-" Olha fulano você quer namorar sicrana?" Ele respondeu:

"Ela quizendo e eu quizendo é fácil eu vou"- Hilário ! esta frase nunca saiu da minha cabeça ,.

Incorporei ao meu vocabulário quando quero dizer que estou

na dúvida. Como ultimamente ando cheia de incertezas uso a expressão para tira meu corpo fora. Nem preciso dizer que a gargalhada é geral , todos querem saber o por quê. Claro que faço supense. Agora vocês sabem! Mas nossa amiga nunca soube desta tentativa frustada.

Será que erramos?


 


 

 

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