Resgatando um Momento Vivido...


 


 

No interior em que cresci e vivi durante 20 anos, a comunidade era tão pequena que se sabia tudo da vida um do outro. Bom acredito que todas eram assim...

Era comum as moças de mais idade "olharem" as crianças e adolescente menores, quando os pais ou parentes mais próximos se ausentavam.

Na nossa família uma amiga íntima desempenhava este papel: era gentil, atenciosa, servil, mas sabia também ser "durona" quando necessário. Lembro bem seu nome, seu jeito, seu carinho por mim e minha Irma mais nova.

Soube que continua solteira e agregada a outra família que a trata

Com muito carinho. Deve estar com seus 75 anos ou mais. Que eu saiba ela nunca teve um na

morado ou pretendente . Talvez fosse este o motivo dela sempre dar uma de alcoviteira das

meninas que ela via crescer e tornar-se adolescente ou moças para casar. Foi assim comigo...

Hoje percebo que na verdade ela tentava realizar-se através de

cada uma de nós. Formou-se Professora Primária e passou a lecionar em duas Escolas .

Ela tinha uma particularidade que entendo agora como uma forma de compensar a sua insegurança afetiva... Quando gostava de alguém cobria aquela pessoa de presentes caros , independente da receptividade ou não. Quando cismava..Sai de baixo! Não adiantava conselhos de ninguém.

Ouvi muitas vezes minha mãe e minha Tia comentarem sobre isto. Um dia , soube que ela estava de "olho" num solteirão do lugar. Ele tinha um ar de bobalhão ,mas trabalhador e até simpático e sorridente. Era uma comédia , agora éramos nós que tentávamos engatar o namoro. Éramos garotas na faixa de 13 e 14anos, cheias de "gás"

Com a corda toda.

Acontece que descobrimos que o "cara" era quase analfabeto,

Afinal ela já era uma Professora. Foi engraçada a forma como se deu a descoberta. Chegamos

Até a figura e perguntamos:-" Olha fulano você quer namorar sicrana?" Ele respondeu:

"Ela quizendo e eu quizendo é fácil eu vou"- Hilário ! esta frase nunca saiu da minha cabeça ,.

Incorporei ao meu vocabulário quando quero dizer que estou

na dúvida. Como ultimamente ando cheia de incertezas uso a expressão para tira meu corpo fora. Nem preciso dizer que a gargalhada é geral , todos querem saber o por quê. Claro que faço supense. Agora vocês sabem! Mas nossa amiga nunca soube desta tentativa frustada.

Será que erramos?


 


 

 

3 comentários:

Ronaldo Honorio participou com o comentário número:

Curiosa e providencial reflexão de uma página de sua vida, e que você bem carrega como um instrumento de bom humor. "Será que erramos?" rsrs Para tantos momentos na vida talvez haja outra pergunta, como esta: Será que saberíamos tanto se não errássemos? Partindo do mais mero evento ao de maior peso em nossas vidas, penso no que me disseram um dia, que errar é dar passos acertados em prol do entendimento, mover-se é tudo... Gostei desse e de post anterior, o modo como você traz a dinâmica vida, olhares, particularidades.

Edith Lobato participou com o comentário número:

Rsrsrsrs, menina você me fez rir, claro que não eram, mas as coisas só acontecem mesmo quando alguma coisa um no outro se intercala , não importa a condição de um ou de outro. Mas que tempo gostoso heim Claudete? Um tempo que não volta mais, penso que as pessoas ficam sozinhas por decisões próprias,ou por verem tanta desgraça entre as relações que acabm ficando céticas para o amor, para o realcionamento. Boa noite.

claudete participou com o comentário número:

Sabe eu também acho muita graça e me pego rindo sozinha e feliz porque a memória ainda está "ativa".beijos

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