Não esqueçam palavras transformam, mas testemunhos arrasam.
( Marcelo Rossi)
Esta frase lida no site do Pe. Marcelo Rossi diz muito de uma situação que vivenciei e que de acordo com o propósito que tive ao criar este espaço veio a calhar.
A caminhada pela vida as vezes nos premia com situações
gratificantes que massageiam o nosso ego, mas em certos momentos outras promovem estragos que se não pararmos para uma reflexão mais profunda , provocam danos irreparáveis. Eu gosto de cantar, eu sempre me senti leve e feliz cantando. Cresci todos
dizendo que a “menininha” cantava bonito.
Cantava para os convidados importantes da minha madrinha usineira, cantava na festa de aniversário do Prefeito da Cidade, cantava nas festas da escola, cantava nas festas de aniversário, cantava nas serestas universitárias enfim era o famoso “arroz de festa”. E como não poderia deixar de ser o curumim subiu-me à cabeça : nunca imaginei que me depararia com quem não gostasse de me ouvir cantar!
Bem o tempo passa , a gente envelhece , mas a voz continua a mesma salvo algumas limitações impostas. Em 1997 numa viagem a Orlando ( EE.UU) , para um congresso Odontológico resolvemos esticar até Nova York.
Lá tive a primeira crise de asma , foi horrível! Ao voltar para o Brasil sofri muito com
todas explicações e tratamentos propostos para aliviar as crises que se sucediam com freqüência. Não havia nenhum histórico familiar .
Depois de muitas idas e vindas , por acaso , alguém da comunidade que me conhecia indicou-me para cantar no coro da Igreja Católica que freqüento, e descobri que a cantoterapia tinha me ajudado a respirar corretamente e
foi um suporte fabuloso ao meu tratamento. Pois bem depois de tantos anos , uma pessoa fez uma crítica cruel , não dirigida somente a mim mas também a outro do grupo, que a criatura não gostasse de nos ouvir, tudo bem, você não pode agradar a todos, entretanto as palavras usadas para tal fim foram transformadoras.
Ser acusada de pessoas pecarem por me ouvir cantar
foi pesado demais, talvez ao fazer a segunda voz ou cantar em falsete quando cabível não fosse condizente com a necessidade de oração de alguns. Não vou entrar em detalhes do que realmente a Senhora em questão falou, pois meu desabafo é para que
eu possa apagar definitivamente tudo isto . Minha Fé continua inalterada , porque acredito que tudo tem um propósito. Se no primeiro momento eu desisti de cantar , refleti que seria oportuno o recolhimento como expressão de humildade que leva ao perdão.
Procurei motivos da impressão causada , onde eu poderia estar me expondo e descobri que ficar em destaque , estar sob os holofotes também gera reações contraditórias que não constroem e impedem outros de caminharem.
Olhando sob está vertente passei a compreender os recados
que recebemos do Pai quando estamos nos desviando de nossos objetivos em crescer a
cada dia no louvor, na oração e na vigilância constante.
Sei que todos se perguntam por que só estou cantando dois domingos no mês, e muitos sabem , certos fatos são como penas de galinha jogadas ao vento do alto de uma montanha: se espalham e não se juntam nunca mais, aí é que está
A minha oportunidade de no exercício do silêncio dar o testemunho arrasador : ser mais humilde aceitar com dignidade até as críticas injustas e controlar a vaidade.
Sinto que cresci com o fato, pois sou consciente das minhas qualidades sei que não feri os ouvidos de ninguém porque apesar de amadora estudei música e canto orfeônico , mas sou grata a tudo que vem acontecendo durante este episódio . Ficar sentada , assistindo ao ritual da assembleia me deixa uma sensação incrível de Paz e Conforto . Daqui a algum tempo ninguém mais fará perguntas , vão acostumar-se a me ouvir cantar apenas de vez em quando .Esta senhora fez-me enxergar com os olhos da razão o que o coração não me deixava ver.
escrito por maria claudete