Duas Almas

imagem : visão através da janela da minha casa.


"Esta poesia do Wamosi. gaucho de Uruguaiana (fronteira com a Argentina, cidade plana, belissima, do outro lado do rio
Uruguai fica a cidade de Passo de Los Libres, tem uma ponte internacional e o movimento e a integração é grande.
A poesia é quase um hino entre os boemios, declamada nos bares da vida e por este ex- beberrão, mas sempre
boemio." ( comentário do meu amigo Ivo que enviou-me esta elegia aos amores da vida).
Claudete.

Alceu Wamosy

Duas Almas



Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
entra, e, sob este teto encontrarás carinho:
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
vives sozinha sempre, e nunca foste amada...

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa!

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha:
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha...

1 comentários:

(Carlos Soares) participou com o comentário número:

Maravilhoso poema e concordo também. "A poesia é quase um hino para os boêmios". Beijos e ótima semana

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