20 julho 2010
A Vida E Seus Percalços
A Vida e Seus Percalços.
Na unidade busco a complexidade:
Do viver num mundo oscilante...
Do poder que emana de todas as direções...
Do transtorno que regula os insensatos...
Das lágrimas que jorram sangue...
Da ingratidão que sobrepuja o reconhecimento...
Da maldade insistente dos poderosos...
Do caminhar claudicante dos governantes...
Da hipocrisia que permeia no meio de nós...
Do grito que insufla a rebelião inconsistente...
Das metáforas que cerceiam a verdade...
Das heresias proferidas como desculpas...
Dos discursos que embutem segundas intenções.
Na complexidade, a unidade que busco está em Deus!
Escrito por Maria Claudete
17 julho 2010
Mendigando Amor
Mendigando Amor
Atualmente só desço até o centro da cidade quando necessário. Na última quinta-feira, 15 de Julho, véspera do feriado da Padroeira do Recife, Nossa Senhora do Carmo, era um agito só por toda Conde da Boa Vista.
Não tinha muito que fazer, não havia marcado cliente algum e nada mais importante. Resolvi aproveitar e repor algumas coisas que precisava no Consultório. Poderia ter pedido por telefone, mas de repente me dei conta que seria bom caminhar um pouco pelas ruas do centro, entre anônimos, alguns barulhentos, outros emudecidos e cabisbaixos caminhando apressadamente entre a multidão.
Sem pressa, totalmente envolta numa mansidão que me surpreendia cheguei ao meu destino e fiz as minhas compras. Aproveitei para conversar um pouco com a proprietária da Dental.
Ao regressar ao Consultório, do lado oposto à calçada em que eu estava vejo uma jovem de aproximadamente 25 anos, parecia saída do estacionamento, pois segurava a chave de um carro. Estava chorando convulsivamente e falava ao telefone com alguém.
Não havia como não prestar atenção, pois no seu desespero ela implorava que a criatura do outro lado da linha não "fizesse " aquilo com ela, "não a deixasse", sua voz era cada vez mais alta e alterada e ela cambaleante encostava-se no muro do estacionamento e dava as costas para a rua.
Fiquei atônita... Percebi que há situações na vida que, diante da nossa já longa via percorrida, acreditamos saber sempre como agir em qualquer circunstância... Ledo engano.
Vi como os anônimos podem ser cruéis e como emitem julgamentos aleatórios... Mesmo sendo uma rua pouco movimentada, os que passavam perto da jovem estavam mais interessados em destratá-la : " olha aí não tem vergonha de estar chorando por macho", "não tem o que fazer", " vai ver o que andou aprontando" etc. Ela sequer ouvia.
O que parecia ser uma caminhada tranqüila tornou-se um pesadelo, fiquei simplesmente parada por alguns instantes na dúvida se deveria ou não intervir. Acho que vacilei... Acho que viajei... Naquele curto espaço de tempo questionei o que poderia levar alguém a mendigar amor daquela forma... Seria aquela uma demonstração de amar acima de tudo... Quantas pessoas amavam daquele modo... Amar era isto?
Então eu tinha passado pela vida e não sabia o que era Amar...
Uma confusão estabeleceu-se em mim por uma fração de segundos, mas retomei a via da razão, pessoas normais amam dentro de padrões normais e racionais quando compreendem a dimensão do Amor. Este é reciprocidade, o espírito de sobrevivência do próprio indivíduo no relacionamento impõe esta condição. Extrapolar esta realidade é perder a identidade como pessoa.
Aquela jovem alheia tudo e todos que circulavam ao seu redor era um exemplo vivo disto. Continuei meu caminho e um misto de impotência e tristeza me invadiu...Senti-me tão covarde por não chegado mais perto...Por não ter tentado...Por medo ser rejeitada por ela , que estive sufocada até hoje, quando resolvi escrever sobre o fato.
A aspereza do mundo de concreto, onde a maioria circula para sobreviver, acaba por tornar as pessoas insensíveis ao sofrimento alheio. É como se o ar poluído que pulula acintosamente, permeasse a corrupção do corpo e da alma.
Uma coisa aprendi... Quanto mais vivemos mais temos a certeza que desconhecemos nossas próprias reações diante do inusitado. Ao voltar para casa compreendi que se choro tenho como coro o gemido do vento; se canto sou acompanhada pelos pássaros; se caminho a leveza das folhas que flanam ao sabor do vento me seguem...
Tenho a Natureza por perto a me dizer: olhe-me, cuide-me, siga-me eu sou o Olhar de Deus sobre você! Proteja-me e estarei sempre contigo.
Espelhemo-nos na Mãe Natureza e aprenderemos o verdadeiro sentido de amar obedecendo os preceitos do AMOR .
Escrito por Maria Claudete
11 julho 2010
Controversões
Ser Intempestivo e...
Não ser Impetuoso.
Ser Intolerante e...
Não ser Insaciável.
Ser Impotente e...
Não ser Insensato.
Ser Irracional e...
Não ser Incompetente
Com a Natureza,
Com os Animais,
Com a Sociedade,
Principalmente com você!
Escrito por Maria Claudete
07 julho 2010
Apenas grito!
Não me perguntem nada...
não saberia o que responder...
um pavor aterrorizante toma conta de mim...
mas diante de uma cobra ,inofensiva ou não...
cristalizo , fico sem reação...
apenas grito ... O som...
parece sair de um ser inexistente...
nem sei se sou o eu presente
ou se o eu escondido no meu terror
apenas grito!
escrito por maria claudete
03 julho 2010
Perfume Etéreo
Perfume Etéreo...
Situação bem rotineira.Voltando do trabalho.
Chegada bem vinda ao lar.
Preparar o jantar leve.
Arrumar a mesa.
Um olho no fogão,
O outro no noticiário,
Clima não passível de elucubrações.
Acontece o inusitado,
Para a maioria, não para mim.
Um perfume de rosas paira no ar
Não provinha de ninguém...
Improvável, para a maioria,
Não para mim.
O olor se faz mais intenso,
Procuro de onde vem...
Só sei que uma imensa paz me invade,
Preenche todos os sentidos.
Flutuo nesta sensação
Misto de prazer e solidão.
Desloco-me para outro espaço.
Por alguns instantes sinto-me seguida...
A tranqüilidade transmitida continua,
O perfume se dissipa
Seria ilusão? Não importa...
Das brumas do silêncio
Germinou a mansidão.
Escrito por Maria Claudete
28 junho 2010
VIDAS EM CÓDIGO DE BARRAS
Não sei discernir o que...
Sinto apenas uma sensação estranha
Que se apodera de mim.
Toma forma e cresce de modo assustador.
Diante de mim um olhar pensativo...
Parece inquiridor...
Nossos olhares e pensamentos se cruzam.
O que antes me parecia angustiante,
Torna-se revelação para ambos.
Como um código de barras
Previsível e sem erros
Dar-se a decodificação.
Nosso foco era o mesmo.
Nossas vidas cruzadas no etéreo
Entrelaçadas na energia cósmica
Ressonantes e uníssonas
Buscam na sincronização de suas forças
Caminhar com rumo e direção
Em busca da solução.
escrito por maria claudete
(esta postagem também foi feita no Blog da Claudete)
24 junho 2010
Blogagem Vidas Linha: Por Que Seu Blog Tem Esse Nome?
Respondo à Blogagem Coletiva criada pela Mylla do Blog Vidas Linha.
Vias Percorridas surgiu diante da necessidade que tive de , nesta etapa da minha vida , resgatar caminhos trilhados por mim , que foram marcantes ,e por terceiros que vivenciei conjuntamente , dos quais guardo lembranças felizes e amargas ,mas que trouxeram no presente a eclosão de sentimentos que culminaram em mudanças radicais na minha vida.
Hoje, sabe-se e comove todo o País , a desolação que abateu-se sobre cidades
do Nordeste, especialmente de Alagoas e Pernambuco, provocada pelas chuvas e inundações dos rios que as circundam.
Hoje é véspera de São João... As lembranças das
Festas juninas com características originais, com carro de boi, casamento matuto, quadrilhas típicas, latadas, sanfoneiro, fogos de artifícios, ronqueiras, canjicas, pamonhas, quentão, cocadas, milho cozido, milho assado, pé-de-moleque, bolo de milho, bolo de mandioca, bolo de macaxeira, fogueiras e adivinhações, enfim folguedos e brincadeiras, sem nenhuma interferência da modernidade trazidas da Capital, seria hoje motivo de resgate de uma época vivida na minha juventude.
Seria... Porque a tristeza me abate. Além da dor da perda pelos anônimos irmãos fomos tocados de perto... Ainda resta-nos a esperança da sobrevivência de alguns parentes, com os quais ainda não conseguimos contato, na cidade praticamente destruída pelas águas, Branquinha –Alagoas- Que Deus os tenha preservado da fúria das águas.
Tudo, porém, tem uma razão de ser, a vida segue seu curso, como o rio é perene...Persegue ciclos que se alternam . E a natureza agredida por invasões aleatórias ao seu espaço pede passagem e retomada do seu trajeto. Não é mera coincidência que situações com estas freqüentemente se repitam. A questão é : até quando?
São trilhas que percorri da infância à juventude, vendo e sentindo na pele , chuvas intensas, alagamentos ,mas não em tamanhas proporções, ceifando vidas e destruindo sonhos e conquistas. No hoje, que em todos coexista o sentido da superação que os mova à reconstrução da FÉ no recomeçar.
Escrito por Maria claudete
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