30 abril 2009

Resgatando...

                               Resgatando...

 

                   Fiquei matutando comigo mesma sobre o fato de meu “domingo estar sendo musical”, comentário do meu amigo Cadinho, pois é  estava deixando um pouco para traz algo que sempre me serviu  de companhia em todos os momentos da minha vida desde a mais tenra idade.

                  Sempre curti muito tudo que se relacionava  à música,  acreditem , minha mãe sempre comprava a Revista do Rádio( os da  minha geração devem lembrar) , minha leitura preferida era saber tudo que se cantava na época, quais os artistas famosos , queria ver na Revista o que ouvia na  Rádio Nacional e Tupi .

                  Apesar de ser uma criança ainda, meus ídolos, por conta da mamãe eram Emilinha Borba, Marlene, Nora Ney , Dalva de Oliveira , Caubi Peixoto  e claro o Cesar de Alencar entre tantos outros famosos .

                  Lembro que chegava a chorar ouvindo Dick Farney, Lucio Alves, o que fez a mamãe me proibir de ser tão fascinada pelos programas de Rádio.

                  Aprendi direitinho a cantar o bolerão Dez Anos da Emilinha e Babalu da Ângela Maria. Havia no lugarejo onde nasci , aos Domingos gincanas escolares para divertir a criançada e jovens locais e lembro que ganhei muitas bonecas e panelinhas cantando, recitando poesias ou monólogos.

                  Preciso, entretanto, diante desta preferência explicita pela musicalidade relatada dizer  porque minha lista ouvida por vocês passa pela modernidade ?

                  Bem, justifico-me: gosto de ouvir a combinação de sons emitidos pelos variados instrumentos associados às vozes em todas as variantes, e além do mais estou testando a minha habilidade de poder baixar  ferramentas  que me propiciem o aprendizado , se é fácil para a maioria , para mim ainda é desafiante, logo o primeiro que encontrei , baixei!!!

                  Prometo , quando estiver com mais domínio, mostrar o que realmente gosto de ouvir nesta minha fase da vida.

 

                  Sim, o gosto musical varia de acordo com etapas vivenciadas, pelo menos tenho observado em mim esta mudança. Mas continuo curtindo mesmo a música romântica.

                 Bem esta é mais uma via percorrida e resgatada!

                              Bom Feriado a Todos !

escrito por Maria Claudete                 

                  

23 abril 2009

Tristezas e Alegrias de Abril!


                        O mês de |Abril sempre me trouxe inquietações , por um tempo pensava ser coisas da minha cabeça adolescente, o tempo foi passando e talvez , por de tanto castigar a mente ,o irreal tomou forma e parece que o "poder" usado erroneamente deu sempre o ar da graça.
                       O inigmático Abril me persegue  a partir do momento em que as pessoas que mais amo pululam ao meu redor , posto que nascidas neste mês: pai, marido, irmão, melhor amigo, melhor amiga  e por ai vai.
                        A tristeza pelas grandes perdas por quais já passei , também aconteceram em Abril!
                         
                        Algumas perdas foram recuperadas e transformadas em alegra: ponto para mim que consegui ser maior que a minha prevenção!
                        Outras , irrecuperáveis , a morte física tirou-me do convívio seguidamente três pessoas queridas, perdas recentes , que ainda estão doendo de saudade...
                         Duas delas  no limiar do outono da vida bem sucedida. A terceira ainda com muito a realizar ,considerando o limite imposto por nós, porque o tempo e determinação divina  são outros. 
                         Não me despeço dos amigos ou familiares levando-os à ultima morada terrestre, prefiro lembrá-los como sei que vou encontrá-los um dia: ressurgidos da morte , leves , livres e repletos de amor e luz!
                         Mas... por que Abril  me sensibiliza tanto?
                         Se eu fosse paranóica estaria aí uma boa explicação, mas não tenho, a não ser as factíveis coincidências da vida, quem sabe?
                         Pois bem , resolvi virar a mesa e tirar  Abril do pedestal nesfasto, apesar dos acontecidos desagradáveis mas inevitáveis , o mês me trouxe duas grandes alegrias : o casamento de Maria e René Paranthoen e um emprego para meu enteado.
                         Se não bastasse  , ganhei uma viagem para Salvador no próximo feriadão , um misto de  descanso e reconciliação .
                          Bem como a viagem começa em Abril ... viva este reiniciar!

                          Estou aprendendo, com certeza  a usar melhor a minha capacidade 
de ser coerente  e resgatar a confiança  no " eu quero, eu posso".

                           Sinto-me em paz por mais esta via percorrida.

Escrito por Maria Claudete

                             


07 abril 2009

Descoberta...Por Acaso.

                             Dizem que o acaso não é responsável pela maioria de nossas criações, até pouco tempo pensava mais ou menos assim. Aprendi , entretanto, que o momento traça com as circunstâncias , a maioria de nossas realizações: escrever, cantar, atuar cenicamente, dançar , improvisar, pintar etc.
                            Pois bem , tive oportunidade de vivenciar a experiência do inusitado por duas vezes . Na primeira havia uma grande motivação , era a festa de 15 anos de minha filha do meio ,  ela queria uma produção dos "Anos Sessenta", e os gastos seriam imensos.  Meti a mão na massa e produzi tudo o que era pertinente ao evento . Até os vestidos da aniversariante bem como das amigas foram desenhados por mim . Bolei os convites e ao  final da festa estava deslumbrada e muito feliz pelos elogios recebidos, pois todos queriam a indicação de quem havia sido o grande responsável por tudo.Modestamente foi  realmente uma festa impecável !
                            Muito bom, mas não era a minha praia, produtora de eventos? nem pensar , somente fazendo é que se compreende porque se cobra tão caro, aliás , tão justo!
                            Outro momento especial  me fez repetir  a dose, e me descobrir envolvida , e feliz  na produção da festa de casamento  de uma amiga muito querida. O casal já unido civilmente há muitos anos , com residência na França , retornou ao Brasil para uma cerimônia religiosa . 
                            Providenciei  o trâmite  da documentação  e ajudei a preparar tudo que se referia ao grande dia. Correu tudo com perfeição para alegria dos noivos e dos convidados.Foi  lindo o momento musical ,tanto na Igreja quanto no local da recepção , acredito que a informalidade, o sentimento de amor que pairava sobre todos , afinal era notória a felicidade daquele casal de meia idade que realizava um sonho de tantos anos!
                            Minha amiga queria casar vestida de noiva mas temia os comentários.Os jóvens a conveceram do contrário ( a juventude é romântica, outra descoberta!) . Ela estava linda! discretamente linda! Cantei na sua entrada  Fascinação.
                            Vestida de branco-gelo, arranjo de flores naturais na cabeça e um pequeno buquê das mesmas flores, encantou e surpreendeu a todos os presentes. 
                             Nem preciso contar para vocês da minha felicidade , tudo correu  ordenadamente , não apareceu o cansaço , pois descobri que quando em tudo se põe o tempero AMOR , o tempo torna-se consequência e não fator de desânimo e exaustão.
                             Este casal trouxe-nos a lição profunda de que  nunca é tarde para se realizar um grande sonho. O Amor partilhado é belo e sensual em qualquer idade, desde que cultivado e coroado como eles o fizeram.
                              Eu senti-me gratificada pela felicidade deles.Esta foi a minha recompensa. Na verdade  terei para com eles a dívida de gratidão pelo momento de reconciliação que me foi proporcionado , permitido-me um novo "olhar" na minha relação afetiva. 
                             Foi um dia de grandes descobertas!
                             Novas possibilidades profissionais...
                             Novo "olhar" na mesma direção!

                             
                        









25 março 2009

Vendo Através do Nevoeiro.


Fecho os olhos, divago procurando no baú das recordações lembranças da minha infância. São tantas as lembranças , confusas e cinzentas , parecem até um nevoeiro , em que as nuvens passam depressa, fluem como se não quisessem ficar e serem desnudadas.
Zezé de Xanda! Ficou, olhar matreiro , garota mais velha , insinuante e fogosa, diziam que já namorava . Ela vivia com a mãe na Capital e só aparecia no nosso lugar nas festas de final de ano para dançar o Pastoril e ganhar dinheiro dos marmanjos , quando o locutor anunciava o começo do folguedo.
E ela dava um show de rebolado, mostrava despudoradamente as coxas e a calcinha vermelha ou vermelha e azul: Zezé sempre era a Mestra do Cordão Encarnado ou a Diana do Pastoril. O encarnado sempre ganhava com a Zezé.
Ela namorava os meninos mais paquerados , era disputadíssima e não muito querida pelas garotas.
Eu era bem mais nova, tinha apenas 11 anos , a Zezé já beirava os 15 ou 16 . Gostava dela, a convidava lá pra casa, para tomar leite com biscoito na hora do lanche da tarde. Ficava sempre boquiaberta com as estórias que ela contava.
Zezé sabia tudo! Pelo menos eu achava assim, e foi com ela que soube o que era virgindade. Ela chegou a contar como havia “perdido” a dela. Nunca esqueci os “conselhos” de Zezé, um deles , um verdadeiro “terrrorismo” que nos deixou bastante amedrontadas : -olha meninas, prestem atenção , cuidado quando forem tomar banho e fazer a higiene, pois os dedos tiram a virgindade, aí não é para limpar!
Já imaginaram no que deu: muito megma , coceira , visitas ao médico local e peteleco na cabeça dados pela mamãe, e o pior Zezé ficou proibida de voltar a nossa casa.
Cresci , fiquei mocinha, comecei a namorar e Zezé sumiu para retornar anos depois, feições triste e carregando um filho nos braços, sozinha e abandonada. Consegui saber dela tudo que lhe havia acontecido. O mundo de Zezé ruiu como todos os seus sonhos e fantasia.
Nossos mundos se separaram definitivamente . Há muitos anos soube que ela havia morrido, não sei se é verdade , mas os parentes que moravam no nosso interior não existem mais. Nunca soube quem eram os pais de Zezé.
Como esta lembrança foi a que pontuou hoje, me pergunto até onde ela fez a diferença nas minhas relações afetivas. Os segredos que a Zezé me passou não passei adiante , nem vivenciei todos eles, mas posso adiantar o que Zezé me disse no último encontro :- “Tudo que fiz foi por amor , estou só, mas soube gozar e ser feliz”- não sei se o gozo da Zezé foi literal, mas parece, não?
Onde você estiver Zezé este é meu tributo a você! Esta é mais uma via percorrida e resgatada por mim.

Escrito por Maria Claudete
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