A noite chegou... Mansamente.O dia foi torturante... A oração se fez presente. Como não sofrer... Como não chorar. Por que... Eis a pergunta da mente. Quem responderá... É o coração que pergunta. A boca que emitia sorrisos... É a boca que trejeita. O olhar que tudo via... É a visão da escuridão. A claridade partilhada... É a síntese da solidão. A mente que brilhava... É o reflexo da desolação. A crença praticada... É a Fé abalada. Forças estranhas tomam formas insidiosas. Forças adquiridas na oração repelem a ação. Como não sobreviver... Como não ser preenchida. Mãos repousantes... Mãos divinas. Iluminação vinda do alto... Assimilação totalizada. Feedback estabelecido...Comando reconstituído. Faz-se Dia na Noite fria e escurecida.
Na unidade busco a complexidade: Do viver num mundo oscilante... Do poder que emana de todas as direções... Do transtorno que regula os insensatos... Das lágrimas que jorram sangue... Da ingratidão que sobrepuja o reconhecimento... Da maldade insistente dos poderosos... Do caminhar claudicante dos governantes... Da hipocrisia que permeia no meio de nós... Do grito que insufla a rebelião inconsistente... Das metáforas que cerceiam a verdade... Das heresias proferidas como desculpas... Dos discursos que embutem segundas intenções. Na complexidade, a unidade que busco está em Deus!
Sabe aquele dia em que você acorda e descobre que está enxergando melhor o mundo ao seu redor, sim , aquele que você via sempre e não notava nada especial?Pois bem, não sei se por estar fragilizada pelas circunstâncias do dia anterior, consulta ao Cardiologista, rotina de exames, conselhos e alertas repetitivos, enfim a consciência inadiável de que somos falíveis e de que valorizar, a partir desta descoberta , o que temos e a beleza da Natureza que nos cerca já é um privilégio . Atualmente só desço até o centro da cidade quando necessário. Na última quinta-feira, 15 de Julho, véspera do feriado da Padroeira do Recife, Nossa Senhora do Carmo, era um agito só por toda Conde da Boa Vista. Não tinha muito que fazer, não havia marcado cliente algum e nada mais importante. Resolvi aproveitar e repor algumas coisas que precisava no Consultório. Poderia ter pedido por telefone, mas de repente me dei conta que seria bom caminhar um pouco pelas ruas do centro, entre anônimos, alguns barulhentos, outros emudecidos e cabisbaixos caminhando apressadamente entre a multidão. Sem pressa, totalmente envolta numa mansidão que me surpreendia cheguei ao meu destino e fiz as minhas compras. Aproveitei para conversar um pouco com a proprietária da Dental. Ao regressar ao Consultório, do lado oposto à calçada em que eu estava vejo uma jovem de aproximadamente 25 anos, parecia saída do estacionamento, pois segurava a chave de um carro. Estava chorando convulsivamente e falava ao telefone com alguém. Não havia como não prestar atenção, pois no seu desespero ela implorava que a criatura do outro lado da linha não "fizesse " aquilo com ela, "não a deixasse", sua voz era cada vez mais alta e alterada e ela cambaleante encostava-se no muro do estacionamento e dava as costas para a rua. Fiquei atônita... Percebi que há situações na vida que, diante da nossa já longa via percorrida, acreditamos saber sempre como agir em qualquer circunstância... Ledo engano. Vi como os anônimos podem ser cruéis e como emitem julgamentos aleatórios... Mesmo sendo uma rua pouco movimentada, os que passavam perto da jovem estavam mais interessados em destratá-la : " olha aí não tem vergonha de estar chorando por macho", "não tem o que fazer", " vai ver o que andou aprontando" etc. Ela sequer ouvia. O que parecia ser uma caminhada tranqüila tornou-se um pesadelo, fiquei simplesmente parada por alguns instantes na dúvida se deveria ou não intervir. Acho que vacilei... Acho que viajei... Naquele curto espaço de tempo questionei o que poderia levar alguém a mendigar amor daquela forma... Seria aquela uma demonstração de amar acima de tudo... Quantas pessoas amavam daquele modo... Amar era isto? Então eu tinha passado pela vida e não sabia o que era Amar... Uma confusão estabeleceu-se em mim por uma fração de segundos, mas retomei a via da razão, pessoas normais amam dentro de padrões normais e racionais quando compreendem a dimensão do Amor. Este é reciprocidade, o espírito de sobrevivência do próprio indivíduo no relacionamento impõe esta condição. Extrapolar esta realidade é perder a identidade como pessoa. Aquela jovem alheia tudo e todos que circulavam ao seu redor era um exemplo vivo disto. Continuei meu caminho e um misto de impotência e tristeza me invadiu...Senti-me tão covarde por não chegado mais perto...Por não ter tentado...Por medo ser rejeitada por ela , que estive sufocada até hoje, quando resolvi escrever sobre o fato. A aspereza do mundo de concreto, onde a maioria circula para sobreviver, acaba por tornar as pessoas insensíveis ao sofrimento alheio. É como se o ar poluído que pulula acintosamente, permeasse a corrupção do corpo e da alma. Uma coisa aprendi... Quanto mais vivemos mais temos a certeza que desconhecemos nossas próprias reações diante do inusitado. Ao voltar para casa compreendi que se choro tenho como coro o gemido do vento; se canto sou acompanhada pelos pássaros; se caminho a leveza das folhas que flanam ao sabor do vento me seguem... Tenho a Natureza por perto a me dizer: olhe-me, cuide-me, siga-me eu sou o Olhar de Deus sobre você! Proteja-me e estarei sempre contigo. Espelhemo-nos na Mãe Natureza e aprenderemos o verdadeiro sentido de amar obedecendo os preceitos do AMOR .
Ser Intempestivo e...
Não ser Impetuoso.
Ser Intolerante e...
Não ser Insaciável.
Ser Impotente e...
Não ser Insensato.
Ser Irracional e...
Não ser Incompetente
Com a Natureza,
Com os Animais,
Com a Sociedade,
Principalmente com você!